terça-feira, 21 de setembro de 2010

BIOGRAFIA DE CÉSAR AUGUSTO MARQUES



Natural de Caxias, vindo ao mundo a 12-12-1826, filho do Dr. Augusto José Marques, farmacêutico português estabelecido na " Princesa do Sertão " no ano de 1814. Cursou suas primeiras letras no colégio do Professor Antonio Joaquim Gomes Braga, no bairro do Desterro, defronte do muro do Convento das Mercês. Latim, com o Cônego Joaquim José Sardinha, depois com Francisco Pedro Nolares e, finalmente, com o Dr.Domingos Perdigão. Em 1844 seguiu para Portugal a fim de cursar medicina na Escola de Coimbra. Estando pelo segundo ano médico foi forçado a regressar ao Brasil, em face das convulsões políticas ali eclodidas.

Em 1849 foi mandado à Bahia, onde teve que repetir os exames vestibulares, concluindo o curso médico em 1854, quando escreveu sua primeira obra, intitulada Clima e moléstias mais freqüentes da província do Maranhão, sua tese de doutorado. Logo na Academia, César Marques revelou-se o notável maranhense que iria honrar a galeria de nossos maiores, pois de três vezes que teve seu nome proposto, pela Congregação para prêmios, de duas delas recebeu o lauréu.

Casou-se na Bahia e naquela província teve como primeiro emprego o de médico do Exército Imperial. Por nomeação de D.Pedro II atingiu o posto de Subtenente ( alferes ) e nessa graduação veio a servir em sua terra, o Maranhão, na qualidade de assistente do delegado do Cirurgião-mór de sua corporação. Transferido em 1856 para Manaus, passou a lecionar matemática no Liceu amazonense. Em 1857 retornou ao Maranhão, sendo nomeado Provedor da saúde do porto, além de secretário da Comissão de higiene pública; em 1858 foi designado para servir na província do Piauí, e, após alguns meses de laboriosos trabalhos, voltou ao Maranhão. Sem que tivesse maior tempo, transferiram-no para o Pará, onde, indisposto com essa incessante peregrinação, pediu baixa das forças armadas.

Em São Luis iniciou sua atividade médica, paralelamente com as pesquisas que jamais deixou, mesmo em suas andanças. Na capital, exerceu nobilitastes funções dentro de sua especialidade, como médico do Seminário das Mercês, da Guarda Nacional, da Casa dos Educandos Artífices. Foi professor de História no Seminário da Companhia dos Aprendizes Marinheiros , mordomo da Casa dos Expostos, Delegado Literário da Freguesia de N.S. da Vitória e, finalmente, diretor do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Em 1861 César Marques publicava o Almanaque Histórico de Lembranças Brasileiras; novo Almanaque que viria a lume em 1862 e um terceiro era dado à estampa em 1868, Breve Memória sobre a vacina no Maranhão era publicada em 1862. O embrião de maior obra, o Dicionário, viria à publicação em 1864, com o título Apontamentos para o Dicionário histórico, geográfico, topográfico e estatístico da Província do maranhão, São Luis, 1870 ( a mais compacta obra histórica do Maranhão ). Dicionário Histórico- Geográfico e Estatístico da Província do Espírito Santo.

As atividades literárias do Dr. César Marques começaram ainda ao tempo de estudante, quando publicou, na Bahia, a tradução da obra intitulada Provas da existência do outro mundo, fundadas sobre a natureza, história, filosofia e religião, Salvador, 1852, 119 p. ; Conquistas da Religião Cristã, de M.V. Robert, traduzido do francês, Salvador, 1852. traduziu a obra A Meus Filhos ou os Frutos do bom exemplo, de Prospero Blanchard, do original francês, Maranhão, 1869. Deixou inédita a obra Minha Vida, dedicada aos filhos, estando, hoje perdidos esses preciosos originais.

O Dr. César Augusto Marques, caxiense dos mais ilustres e brasileiro aos mais eruditos, ainda moço e estudante passou a integrar os grêmios literários de sua época, pois logo em 1854 era membro correspondente da Sociedade Auxiliadora da Industria Nacional do Rio de Janeiro; membro da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, em 1857; membro do Ateneu Maranhense, em 1860; do Ateneu Paraense, 1861; da Sociedade de Beneficência Luso-Maranhense, 1861; do Instituto Histórico e Geográfico Rio-Grandense, 1863; do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, 1863; da Imperial Academia de Medicina do Rio de Janeiro, 1864;do Instituto Histórico e Etnográfico do Brasil, 1865; do Instituto Literário Maranhense, 1865; do Conservatório Dramático da Bahia, 1866; da Manumissora 28 de Julho, 1869; do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano e da União Católica do Rio de Janeiro, 1870.

Foi sócio ainda, da Real Sociedade Humanitária do Porto, 1858; do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, 1863. Traduziu a importante obra sobre o Maranhão colonial do capuchinho Yves d'Evreux.

César Marques é patrono da cadeira n-35 da Academia Maranhense de Letras, da de n-07 da Academia Caxiense de Letras e de uma do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Foi agraciado com as comendas da Ordem Militar de N.S. Jesus Cristo,d e Portugal; Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa do Brasil e Oficial da Academia da França.

Um grande caxiense. Um maranhense como poucos, um historiador que só foi superado , antes dele, por João Francisco Lisboa; depois dele, por ninguém mais.

Faleceu no Rio de Janeiro a 5 de dezembro de 1900

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